Autismo

           O que é o autismo?

    O autismo é uma das mais graves perturbações de desenvolvimento da criança, que resulta numa incapacidade que se prolonga durante toda a vida. Manifesta-se através de dificuldades muito específicas ao nível da interacção social, da aquisição e uso convencional da comunicação e da linguagem, pela restrita variedade de interesses e alterações do comportamento.

    Estas perturbações, estão geralmente associadas a dificuldades em utilizar a imaginação, em aceitar alterações de rotinas, a um défice de atenção e de concentração, à falta de motivação e à exibição de comportamentos estereotipados, implicam também um défice na flexibilidade de pensamento e um modo de aprender peculiar.

 

       Como se manifesta o autismo ao longo da vida?

    O bebé com autismo apresenta determinadas características diferentes dos outros bebés da sua idade. Pode mostrar indiferença pelas pessoas e pelo ambiente, pode ter medo de objectos. Por vezes tem problemas de alimentação e de sono. Pode chorar muito sem razão aparente ou, pelo contrário, pode nunca chorar. Quando começa a gatinhar pode fazer movimentos repetitivos (bater palmas, rodar objectos, mover a cabeça de um lado para o outro). Não interage com os outros, pode não dar resposta aos desafios ou às brincadeiras que lhe fazem. Não utiliza os brinquedos na sua função própria.

    Dos 2 aos 5 anos de idade o comportamento autista tende a tornar-se mais óbvio. A criança não fala ou ao falar, inverte os pronomes. Há crianças que falam correctamente mas não utilizam a linguagem na sua função comunicativa, continuando a mostrar problemas na interacção social e nos interesses.
Os adolescentes juntam às características do autismo os problemas da adolescência.

    Podem melhorar as relações sociais e o comportamento ou, pelo contrário, podem voltar a fazer birras, mostrar auto-agressividade ou agressividade para com as outras pessoas.
    Os adultos com autismo tendem a ficar mais estáveis se são mais competentes.

    Pelo contrário, os menos competentes, com QI baixo, continuam a mostrar características de autismo e não conseguem viver com independência.

    As pessoas idosas com autismo têm os problemas de saúde das pessoas idosas acrescidos das dificuldades de os comunicarem. Os problemas de comportamento podem por isso sofrer um agravamento. Além disso, perdem muitas vezes o gosto pelo exercício físico e têm menor motivação para praticar desporto, o que não contribui para melhorar a sua qualidade de vida.

    Por outro lado, o seu comportamento pode tender a estabilizar-se com a idade.

 

            Causas do autismo

    As causas do autismo ainda são desconhecidas. Mas existem algumas teorias:

1.      As reacções da criança e seu ambiente e meio social. Fala-se que o autista é assim porque não recebeu afectividade quando era pequeno. Que teve pais distantes, frios e demasiadamente intelectuais.

2.      Deficiências e anormalidades cognitivas. Parece existir alguma base neurológica ainda que não esteja comprovada.

3.      Certos processos biológicos básicos, foi encontrado um excesso de secreção de serotonina nas plaquetas dos autistas.

 

            Características do autista

o   Um profundo afastamento autista

o   Um desejo autista pela conservação da semelhança

o   Uma boa capacidade de memorização mecânica

o   Expressão inteligente e ausente

o   Mutismo ou linguagem sem intenção comunicativa efectiva

o   Hipersensibilidade aos estímulos

o   Relação estranha e obsessiva com objectos

Nota: Embora as características dos indivíduos fossem semelhantes, havia um grupo reconhecido por Asperger com picos de inteligência e linguagem desenvolvida. Daí, hoje as crianças com essas características serem diagnosticadas como tendo a síndroma de Asperger.

 

          A Tríade de Perturbações no autismo

 

    As pessoas com autismo têm três grandes grupos de perturbações. A tríade de perturbações no autismo manifesta-se em três domínios: social, linguagem e comunicação, pensamento e comportamento.

 

    Domínio social: o desenvolvimento social é perturbado, diferente dos padrões habituais, especialmente o desenvolvimento interpessoal. A criança com autismo pode isolar-se mas pode também interagir de forma estranha, fora dos padrões habituais.

 

    Domínio da linguagem e comunicação: a comunicação, tanto verbal como não verbal é deficiente e desviada doa padrões habituais. A linguagem pode ter desvios semânticos e pragmáticos. Muitas pessoas com autismo (estima-se que cerca de 50%) não desenvolvem linguagem durante toda a vida.

 

    Domínio do pensamento e do comportamento: rigidez do pensamento e do comportamento, fraca imaginação social. Comportamentos ritualistas e obsessivos, dependência em rotinas, atraso intelectual e ausência de jogo imaginativo.
 

       

  Sintomas de uma criança autista

 

o   Acentuada falta de reconhecimento da existência ou dos sentimentos dos demais.

o   Ausência de busca de consolo em momentos de aflição.

o   Ausência de capacidade de imitação.

o   Ausência de relação social.

o   Ausência de vias de comunicação adequadas.

o   Anormalidade na comunicação não verbal.

o   Ausência de actividade imaginativa, como brincar de ser adulto.

o   Marcada anomalia na emissão da linguagem com afectação.

o   Anomalia na forma e conteúdo da linguagem.

o   Movimentos corporais estereotipados.

o   Preocupação persistente por parte de objectos.

o   Intensa aflição em aspectos insignificantes do ambiente.

o   Insistência irracional em seguir rotinas com todos seus detalhes.   

 

            Existe tratamento?

     A educação especial é o tratamento fundamental e pode dar-se numa escola específica ou com uma dedicação muito individualizada. Pode-se recorrer à psicoterapia ainda que os resultados sejam escassos devido a que o défice cognitivo e da linguagem dificultam a terapêutica. O apoio familiar é de grande utilidade. Os pais devem saber que a alteração autista não é um transtorno relacional afectivo de criança. Deve-se considerar também o tratamento farmacológico, que deverá ser indicado por um médico especialista. No entanto o autismo não tem uma cura, pois ainda não se conhece ao certo as suas causas.

 

 

    

            O que devem fazer os pais de crianças autistas?

    Os pais que suspeitam que seu filho pode ser autista, devem consultar um pediatra para que os indiquem um psiquiatra de crianças e adolescentes, que podem diagnosticar com certeza o autismo, seu nível de gravidade e determinar as medidas educacionais apropriadas. O autismo é uma enfermidade, e as crianças autistas podem ter uma incapacidade séria para toda a vida. No entanto, com o tratamento adequado, algumas crianças autistas podem desenvolver certos aspectos de independência em suas vidas.

    Os pais devem animar seus filhos autistas para que desenvolvam essas habilidades que fazem uso dos seus pontos fortes de maneira que se sintam bem consigo mesmos. O psiquiatra, além de tratar a criança, pode ajudar a família a resolver o stress; por exemplo, pode ajudar aos irmãozinhos, que possam sentir-se ignorados pelo cuidado que requer a criança autista, ou que se sintam constrangidos de levarem seus amiguinhos à casa. O psiquiatra de crianças e adolescentes pode ajudar aos pais a resolverem os problemas emocionais que surjam como resultado de conviver com uma criança autista, e orientá-los de maneira que possam criar um ambiente favorável para o desenvolvimento e o ensino da criança.