Comportamento Suicida

 

        O que é o comportamento suicida?

    O comportamento suicida compreende os gestos de suicídio (acções suicidas que não têm intenção de ser mortais), as tentativas de suicídio (acções que têm a intenção de ser mortais, mas que não têm êxito) e o suicídio consumado (acto com o qual uma pessoa tira a vida a si mesma). 

    O comportamento autodestrutivo pode ser directo ou indirecto. Os gestos, as tentativas e o suicídio consumado são exemplos de comportamentos autodestrutivos directos. O comportamento autodestrutivo indirecto implica a participação repetida em actividades perigosas sem que exista uma intenção consistente de morrer, como por exemplo o abuso de álcool, drogas e/ou tabaco, o comer em excesso, o descuido com a própria saúde, a automutilação, a condução de um veiculo de modo temerário e o comportamento criminoso.

    Todos os pensamentos e os comportamentos suicidas devem ser tomados a sério.

 

        Pensamentos suicidas?

    Ter pensamentos suicidas uma vez ou outra não é anormal. Eles são parte do processo de desenvolvimento normal da passagem da infância para a adolescência, á medida que se lida com problemas existenciais e se está tentando compreender a vida, a morte e o significado da existência. Os jovens precisam conversar sobre esse assunto com adultos.

    Os pensamentos suicidas tornam se anormais quando a realização desses pensamentos parece ser a única solução dos problemas para as crianças e os adolescentes, tendo assim um sério risco de tentativa de suicídio ou até mesmo suicídio consumado.

    Normalmente as pessoas não querem morrer, apenas querem acabar com o sofrimento á sua volta e pensam que a única forma de acabar é se morrerem.

 

 

        Causas do comportamento suicida

    Existem várias causas do comportamento suicida e as mais frequentes são:

        Perturbações mentais (fundamentalmente depressão e esquizofrenia);

        Factores sociais (desilusão, perda e ausência de apoio social);

        Perturbações da personalidade (impulsividade e agressão);

        Uma doença orgânica incurável.

 

        Como identificar uma pessoa em risco de suicídio?

    Sinais de alarme (só o seu conjunto e permanência temporal podem constituir alarme):

        Persistente absentismo escolar, não habitual no aluno em questão;

        Quebra importante do rendimento escolar, sobretudo se acompanhada de angustia e tentativas fracassadas de melhoria de resultados;

        Sonolência, desatenção e falta de empenho;

        Mudança brusca no relacionamento interpessoal, com isolamento extremo;

        Busca de conflitos e atitudes disruptivas persistentes;

        Comportamento irracional e fora da realidade;

        Oferta de objectos a pessoas significativas;

        Rupturas afectivas (familiares/amorosas);

        Doenças físicas graves, quer no próprio, quer em pessoas importantes do seu universo relacional, mortes recentes, sobretudo por suicídio;

        Sinais de depressão, por vezes indirectos (negligencia não habitual com a roupa e com a higiene, referencia a insónia persistência, abuso de álcool e drogas, fugas de casa, alteração súbita de peso, comportamentos de risco);

        Material escrito ou expressão artística que revele preocupação com temas de morte e o suicídio;

        Verbalização de queixas depressivas ou ameaças de atentar contra a própria vida (“não aguento mais”, “tenho vontade de morrer”, “tenho vontade de adormecer e nunca mais acordar”, entre outras expressões).

 

        Como ajudar uma pessoa em risco de suicídio?

 

    Quando uma pessoa está em risco de suicídio é importante motiva-la para procurar ajuda junto de um profissional na ara da saúde mental. É preciso um apoio intenso onde quase sempre serão envolvidas as pessoas próximas, tais como familiares e amigos. Às vezes um internamento psiquiátrico é necessário.

    Frequentemente uma pessoa que confidencia ter intenções de suicídio pede que não revele estas intenções a terceiros, mas é necessário lembrar que a lealdade é um valor importante, mas o valor da vida é ainda maior.

 

    Conselhos gerais sobre lidar com esse mesmo risco:

        Deve-se criar proximidade com a pessoa que pensa em matar-se;

        Não a deixar ficar sozinha;

        Combinar com a pessoa a ajuda que vão procurar;

        Procure ficar calmo e escutar;

        Procure envolver outras pessoas (colegas, amigos, etc.);

        Chame o 112 se considerar necessário;

        Se possível contacte o medico da pessoa;

        Demonstrar interesse;

        Manter o contacto visual;

        Procurar saber se existe plano suicida;

        Evitar uma atitude crítica;

        Tentar estabelecer uma relação de confiança.

 

        Existe tratamento?

 

    Cada tentativa de deixar a vida representa uma urgência. Uma vez que a ameaça foi ultrapassada, o médico decide a hospitalização. Esta decisão depende do risco de permanecer em casa e da capacidade da família para lhe proporcionar apoio. A gravidade de uma tentativa de suicídio pode ser estabelecida tendo em conta diversos factores, por exemplo, se essa tentativa não foi espontânea, mas cuidadosamente planeada, ou segundo o método utilizado (uma arma é indício de uma tentativa mais séria do que uma dose excessiva de medicamentos), e se, efectivamente, se produziu qualquer tipo de lesão.

    É mais provável conseguir um resultado favorável se a família dá mostras de carinho e preocupação. Uma reacção negativa ou de falta de apoio por parte dos pais e/ou amigos tende a piorar a situação. Em alguns casos, a hospitalização pressupõe a melhor protecção. Esta recomenda-se sobretudo se essa pessoa sofre de alguma perturbação de saúde mental. O psiquiatra e o médico de família trabalham habitualmente juntos. A recuperação compreende o restabelecimento moral e da tranquilidade emocional no seio da família.

 

        Impacto de comportamento suicida

 

    Um suicídio tem um forte impacte emocional em qualquer pessoa implicada. A família da pessoa, as suas amizades e o seu médico podem sentir-se culpados, envergonhados e com remorsos por não terem podido evitar o suicídio. Podem também sentir revolta contra a pessoa que se suicidou. Finalmente, apercebem-se de que não podiam estar ao corrente de tudo ou de que não são todo-poderosos e que o suicídio, na maioria das vezes, não se pode impedir.

    Uma tentativa de suicídio tem um impacte semelhante. No entanto, os que estão mais próximos da pessoa têm a oportunidade de acalmar as suas consciências respondendo ao pedido de ajuda desta.