Depressão
· O que é a depressão?
A depressão é uma doença mental que se caracteriza por tristeza mais marcada ou prolongada, perda de interesse por actividades habitualmente sentidas como agradáveis e perda de energia ou cansaço fácil.
Ter sentimentos depressivos é comum, sobretudo após experiências ou situações que nos afectam de forma negativa. No entanto, se os sintomas se agravam e perduram por mais de duas semanas consecutivas, convém começar a pensar em procurar ajuda.
A depressão pode afectar pessoas de todas as idades, desde a infância à terceira idade, e se não for tratada, pode conduzir ao suicídio, uma consequência frequente da depressão. Estima-se que esta doença esteja associada à perda de 850 mil vidas por ano, mais de 1200 mortes em Portugal.
A depressão pode ser episódica, recorrente ou crónica, e conduz à diminuição substancial da capacidade do indivíduo em assegurar as suas responsabilidades do dia-a-dia. A depressão pode durar de alguns meses a alguns anos. Contudo, em cerca de 20 por cento dos casos torna-se uma doença crónica sem remissão. Estes casos devem-se, fundamentalmente, à falta de tratamento adequado.
A depressão é mais comum nas mulheres do que nos homens: um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde, em 2000, mostrou que a prevalência de episódios de depressão unipolar é de 1,9 por cento nos homens e de 3,2 por cento nas mulheres.
Quais os factores de risco?
o Pessoas com episódios de depressão no passado;
o Pessoas com história familiar de depressão;
o Pessoa do género feminino – a depressão é mais frequente nas mulheres, ao longo de toda a vida, mas em especial durante a adolescência, no primeiro ano após o parto, menopausa e pós-menopausa;
o Pessoas que sofrem um qualquer tipo de perda significativa, mais habitualmente a perda de alguém próximo;
o Pessoas com doenças crónicas - sofrendo do coração, com hipertensão, com asma, com diabetes, com história de tromboses, com artroses e outras doenças reumáticas, SIDA, fibromialgia, cancro e outras doenças;
o Pessoas que coabitam com um familiar portador de doença grave e crónica (por exemplo, pessoas que cuidam de doentes com Alzheimer);
o Pessoas com tendência para ansiedade e pânico;
o Pessoas com profissões geradoras de stress ou em circunstâncias de vida que causem stress;
o Pessoas com dependência de substâncias químicas (drogas) e álcool;
o Pessoas idosas.
Causas
Há várias teorias explicativas para o aparecimento da depressão mas, apesar de investigação desenvolvida, persistem dúvidas relativamente à origem.
Actualmente, a depressão é referida como uma doença multifactorial, ou seja, com várias causas envolvidas no seu aparecimento.
Porém, é possível afirmar-se que há factores que influenciam o aparecimento e a permanência de episódios depressivos. Por exemplo, condições de vida adversas, o divórcio, a perda de um ente querido, o desemprego, a incapacidade em lidar com determinadas situações ou em ultrapassar obstáculos, etc.
Algumas doenças podem provocar ou facilitar a ocorrência de episódios depressivos ou a evolução para depressão crónica. São exemplo as doenças infecciosas, a doença de Parkinson, o cancro, outras doenças mentais, doenças hormonais, a dependência de substâncias como o álcool, entre outras. O mesmo pode suceder com certos medicamentos, como os corticóides, alguns anti-hipertensivos, alguns imunossupressores, alguns citostáticos, medicamentos de terapêutica hormonal de substituição, e neurolépticos clássicos, entre outros.
· Sintomas
Não existe um quadro padrão de sintomas para a depressão, mas sim sinais recorrentes que podem indicar a doença.
· Sintomas emocionais:
o Tristeza
o Perda ou diminuição do prazer ou interesse nas actividades que anteriormente fazia com gosto
o Sentimentos de desvalorização ou culpa
o Pensamentos recorrentes sobre a morte
· Sintomas associados:
o Cismar
o Irritabilidade
o Choro fácil
o Ansiedade ou fobias
· Sintomas físicos:
o Falta de energia
o Dificuldades de concentração
o Alteração no apetite (diminuição ou aumento)
o Insónia ou sonolência excessiva
o Dores de cabeça, nas costas, nos ombros ou dores generalizadas
· Tratamento
A escolha do tratamento mais adequado deve ser personalizada e feita depois de uma avaliação física e mental completa da pessoa doente.
Eis alguns tipos de tratamento que o médico pode recomendar.
· Alteração do estilo de vida: a depressão pode afectar a vida das pessoas de várias formas. O médico pode recomendar alteração do estilo de vida, como a prática do exercício físico e uma alimentação saudável.
· Procurar a ajuda de familiares e amigos, pode também ajudar, bem como ter tempo para socializar com outras pessoas.
· Psicoterapia: a terapia cognitiva comportamental é a mais estudada e efectiva no tratamento da depressão, ajudando as pessoas a corrigir o padrão de pensamentos negativos e a adaptarem-se melhor ao mundo à sua volta.
· Medicamentos: os medicamentos indicados para a depressão chamam-se antidepressivos.
O tratamento deverá ser continuado por vários meses, mesmo depois de se sentir melhor. Só desta forma se evitará recaídas, quando se terminar o tratamento antidepressivo.
· Como falar com o amigo ou familiar deprimido?
Conversar com um amigo ou familiar deprimido sobre aquilo que estão a passar e a sentir pode ser um passo muito importante para a recuperação. Quer esteja a encorajá-lo a procurar ajuda junto de um médico ou a cumprir o tratamento prescrito, é importante ter em atenção o que diz e a forma como o diz.
· Dicas para falar com uma pessoa que está actualmente em tratamento:
Não assuma que uma pessoa deprimida que está em tratamento já não precisa do seu apoio e de falar sobre a doença. Nas primeiras semanas de tratamento muitos doentes sentem-se desencorajados por não sentirem uma melhoria significativa. É crítico que o auxilie o seu amigo ou familiar a ultrapassar esta fase e a cumprir o tratamento indicado pelo médico.
Dê feedback positivo. Quando vir uma melhoria por mais pequena que seja diga-o.
Encoraje a pessoa a seguir o tratamento tal como indicado pelo médico, pois com o tempo ela sentir-se-á melhor.
Tipos de depressão
Depressão Major: é a forma mais grave de depressão. Manifestando-se pelo menos, durante duas semanas, os sintomas incluem: humor deprimido, a perda de interesse nas várias actividades quotidianas, alterações do sono, do apetite ou peso, diminuição de energia, sentimentos de culpa, dificuldades de concentração e tomada de decisões, pensamentos relacionados pela morte ou ideação suicida.
Se os doentes não forem tratados, estes acontecimentos podem ter uma duração entre 6 a 13 meses, mas se forem devidamente acompanhados e tratados, este período pode diminuir para cerca de 3 meses.
· Perturbação Bipolar: descrita através de episódios de exaltação (mania) e tristeza (depressão), este tipo de doença vai alternando entre estas duas vertentes.
· Distimia: a sua principal característica é um humor deprimido que decorre durante a maior parte do dia, praticamente todos os dias, durante cerca de dois anos. As pessoas que sofrem de distimia auto definem-se como tristes, mal-humorados, irónicas, implicativas, pessimistas, desinteressados, com défice de atenção e com dificuldade em desenvolverem relações. A nível físico queixam-se de fadiga constante.
· Perturbação afectiva sazonal: manifesta-se em determinadas épocas do ano, normalmente no inicio ou no fim de cada estação climatérica. A perturbação sazonal pode estar relacionada com a luz solar e a melatona (hormona que intervém na regulação do sono e humor).
· Depressão pós parto: após o parto, nas primeiras semanas, cerca de 50% a 80% das mulheres podem apresentar sintomas de depressão. Os sintomas são enxaquecas, irritabilidade, fadiga, confusão, ansiedade, humor deprimido e instabilidade com choro fácil e frequente.
A maioria dos casos são temporários, no entanto, a mesma pode evoluir para uma situação de maior gravidade, sendo necessária ajuda profissional.
· Síndrome disfórica pré-menstrual: as mulheres em idade reprodutiva destacam um conjunto de sintomas na semana antes do aparecimento da menstruação. Irritabilidade, tensão, ansiedade, labilidade emocional, desconcentração, ausência de energia e alteração do sono são sintomas que vão diminuindo com o inicio da menstruação.
· Ciclotimia: episódios de humor que oscilam entre a hipomania e a depressão moderada. Estes sintomas têm normalmente uma duração curta de dias a semanas e alternam entre si com elevada frequência.